Mortandade de Peixes

Desde 1990 que eu e alguns amigos fazemos uma expedição de Três Marias a Pirapora, e na expedição de 2004, mais precisamente nos dias 18 a 20 de setembro, eu e o Sr. David Nascimento colocamos em pratica uma metodologia de monitoramento de águas, na qual foram coletadas varias amostras!

Este material foi entregue ao SAAE - Pirapora, sendo a senhora Ana Maria Carvalho da Siqueira Neves (CQR 02402554) a responsável pelos resultados finais; que detectou alterações no fósforo total e zinco.

Divulgamos os resultados na época nos meios de comunicação, não chamando a atenção para os mesmos.

Infelizmente poucos meses depois, na data de 22 de fevereiro de 2005 o CETEC liberou um parecer técnico (nº 401480) com um relatório sobre os peixes que apareceram mortos na praia de Pirapora e região. Nos 20 parâmetros analisados pela Biogriambiental Ltda em 12 exemplares de peixes coletados e enviados ao Sr. Dr. Agostinho Clovis da Silva; responsável pela área de ecotoxicologia foi detectado altas concentrações de zinco e cobre e em parâmetros menores aldrin, glifosfato, permetrina entre outros.

Em setembro colocamos a Expedição Cientifica Peixe Vivo nas Águas e tivemos uma equipe do SAAE – Pirapora (Sargento Cardoso, Juninho, o biólogo Patrick Vallin e o técnico Emerson) coletando material para analises e avaliações. Tivemos também neste ano o SISEMA (sistema estadual de meio ambiente) que coletou amostras em 23 pontos e divulgando os resultados no FORUM = redução dos impactos ambientais na bacia do alto médio São Francisco, realizado pela FEM (fundação estadual do meio ambiente) em parceria com o projeto peixes, pessoas e águas, da ONG canadense Word Fisheres Trust com uma equipe técnica que prestaram assistência em varias áreas, como: o Sr. Jeremy Hackell (bactefiologia e virologia), Dr. Vince Pallace e Dra. Liza Peters da Fisheries and Oceans da cidade de Winnipeg no Canadá e Dr Hugo Godinho da PUC Minas (histologia).

Os resultados indicaram zinco, cádmio e chumbo acima dos padrões da legislação ambiental

No ano de 2006, tivemos poucas noticias de peixes mortos, mas colocamos a expedição nas águas, juntamente com a equipe do SAAE – Pirapora, em busca de novas informações sobre a qualidade das águas do Velho Chico.

Tivemos neste ano um projeto do professor Antonio a Mazedo da universidade federal de São Carlos/SP, intitulado: “Avaliação de contaminação ambiental por metais em águas, sedimentos e peixes no rio São Francisco em Três Marias, MG”.

Colocando em estudo a dinâmica da toxidade por metais pesados e outros a partir de 2007.

Todos os anos em setembro a expedição cientifica amigos das águas, juntamente com biólogos, técnicos, professores e centenas de amigos monitoram não só as águas como também a evolução de uma espécie de capim que esta criando croas que no futuro se transformaram em ilhas, mostrando o avanço do sedimento solido na calha principal do rio.

Recentemente recebi um relatório da Acqua Consultoria e Recuperação de Ambientes Aquáticos Ltda, com sede em Belo Horizonte, que teve inicio quando o ministério publico em Três Marias, juntamente com todos os envolvidos na questão firmaram um TAC – (termo de ajuste e conduta), na qual seria entre outras ações o monitoramento dos peixes mortos que fossem aparecendo na calha do rio. Espantosamente li neste relatório que no ano de 2009, 1018 peixes de 24 espécies tinham sido identificados, sendo destes 160 surubins! Não me recordo de ninguém no ano em questão ter noticiado estes números. Por ser um relatório muito grande e complexo em algumas partes, fico a disposição para que qualquer pessoa possa vê-lo e estaremos colocando no site: www.amigosdasaguas.com.br

Na ultima semana muito se falou nos meios de comunicação sobre os peixes que estão descendo mortos, foi noticiado uma matéria que eu defendia a mortandade, só por pesticidas, mas os laudos que eu tenho desde antes de morrer o primeiro peixe em dezembro de 2004, consta também os metais pesados e agentes patológicos.

As controvérsias começaram no momento que o biólogo Fabio vieira (CRB – 12036/4), da Acqua, detecta altas concentrações de pesticidas na gordura das fêmeas que chegam a 95% das espécies mortas. Tanto que fui informado que em 2001, o monitoramento será feito em peixes vivos, encomendado aos pescadores das regiões pesquisadas.

Muitas perguntas, ainda estão sem respostas. Cianobacterias? Metais pesados? Pesticidas? Ou oque?

A historia da morte de peixes precisa de ponto final, mas quem poderá ajudar a salvar o que resta dos cardumes do rio São Francisco.

Precisamos de especialistas, doutores na área em questão, falta entrosamento com os laboratórios de biologia de varias faculdades, universidades e municípios atingidos; facilitando que futuro doutores, já vivenciam os problemas ambientais sofridos pelo Velho Chico. E estudem para solucionar este terrível problema, pois, não somos preparados para enfrentar este pesadelo.

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Saudações ambientais.