Durante os dias 19, 20 e 21 de setembro, cerca de 100 pessoas, entre canoístas, ambientalistas, professores e pesquisadores percorreram os 180 km do rio São Francisco entre os municípios de Três Marias e Pirapora (MG). Esta é a 19ª Expedição Científica Águas Claras, e a 5ª consecutiva que o SAAE/Pirapora participa realizando registros fotográficos e coletando amostras de água dos principais trechos do São Francisco e de seus afluentes.

“É importante a presença do SAAE, pois com as coletas de água nos conhecemos a real situação do rio São Francisco a montante de Pirapora e podemos identificar os principais trechos problemáticos”.

Através dos registros fotográficos é possível fazer uma comparação da situação passada e presente das matas ciliares e das margens do rio, este ano não foi observada grandes alterações, isso pode ser explicado aos pequenos volumes de chuvas que caíram durante o verão. “Nas expedições anteriores o rio mudava muito de um ano para o outro, por exemplo, onde era uma ilha em um ano, no ano seguinte não existia mais devido ao assoreamento, fazendo sua união com as margens do rio”.

A qualidade da água do rio São Francisco e de seus principais afluentes (rio Abaeté, rio de Janeiro e córrego Formoso) é considerada satisfatória, não houve grandes alterações entre as águas coletadas. “Isso também pode ser explicado pela falta de chuvas; em anos anteriores, quando o volume de chuva era maior, as águas do rio Abaeté e rio de Janeiro diferiam em muito do rio São Francisco, esses afluentes estão muito degradados e sem a proteção da mata ciliar, qualquer chuva que ocorre altera suas características, pois a mesma carreia para o leito do rio material das margens, alterando suas águas”.

Não foi observado nenhum peixe morto neste trecho do rio, essa é uma boa notícia, visto que em anos anteriores milhares de peixes morreram devido a contaminação por rejeitos industriais e problemas na operação da Usina Hidroelétrica de Três Marias, “Esse período de calmaria ajuda na recuperação das populações de peixes, fazendo com que eles se reproduzam e aumentem o tamanho populacional”.

“Através desta expedição nos sabemos o quanto que é importante revitalizar o rio São Francisco, porém se não nos preocuparmos com seus afluentes não veremos melhoras significativas no Velho Chico”.