Ao longo do trecho de 180 quilômetros percorridos no Rio São Francisco, entre Três Marias e Pirapora, foram coletadas amostras de água em 7 pontos: em frente ao Centro de Apoio ao Pescador (Três Marias), foz do Córrego da Consciência (Três Marias), foz do Rio Abaeté (São Gonçalo do Abaeté), foz do Rio de Janeiro (Lassance), foz do Córrego Formoso (Buritizeiro), foz do Córrego Doce (Buritizeiro) e na captação de água do SAAE – Pirapora.

As amostras foram coletadas a uma profundidade de 15 cm da superfície e posteriormente acondicionadas em vasilhames âmbar, com capacidade de 1 litro, previamente esterilizados a 180°C por 1 hora. Preservaram-se as amostras em recipiente térmico contendo gelo até a chegada ao Laboratório de Controle de Qualidade da Água no SAAE, e para analise de metais as amostras foram preservadas com ácido nítrico.

Para analise dos padrões físico-químicos utilizaram-se os seguintes parâmetros e metodologias: (1) nitrato, método de redução com cádmio; (2) nitrito, método de diazotação; (3) fósforo, método PhosVer 3 (Ácido Ascórbico); (4) ferro, método FerroZine; (5) zinco, método Zincon; (6) cobre, método bicinconinato; (7) manganês, método de oxidação com periodato, todos os métodos citados foram realizados com reagentes e em espectrofotômetro da marca Hach modelo DR/2500. No Laboratório de Controle de Qualidade da Água também foi realizada analise de turbidez, em turbidímetro Hach 2100P. Em campo, nos locais de coleta, foram realizadas as seguintes analises: (1) pH, método potenciométrico Thermo Orion; (2) condutividade elétrica, condutivímetro Lutron CD-4301 e (3) oxigênio dissolvido e temperatura, oxímetro YSI 55, as sondas foram introduzidas a uma profundidade de 15 cm da superfície da água.

A qualidade das águas foi avaliada comparando-se os resultados obtidos com os valores permitidos recomendados pela Resolução CONAMA 357 de 17 de março de 2005.

RESULTADOS

Fósforo, cobre e manganês foram os parâmetros analisados que estavam acima do estabelecido pela Resolução CONAMA 357/2005, respectivamente nos seguintes locais: fósforo - Córrego Doce; cobre - Córrego do Consciência, Rio Abaeté, Rio de Janeiro e Córrego Doce; e manganês - Córrego Doce. Estes possuem fontes diversas, podendo ser de origem natural, como intemperismo de rochas e erosão dos solos da bacia de drenagem ou de origem artificial, antrópica, através de esgotos domésticos, efluentes industriais e atividade agrícola que se utiliza de diversos tipos de fertilizantes e defensivos.

Também foi observada elevada turbidez na foz do Rio de Janeiro que pode ser devido às chuvas que ocorreram no período da expedição e a falta de mata ciliar. A mata ciliar protege o rio, quando há sua retirada, qualquer chuva que ocorre consegue carrear para o rio argila, areia e outros materiais que causarão o aumento da turbidez.

É importante observar que nas concentrações encontradas estes não causam mal à saúde. Todas as demais analises estavam dentro do estabelecido pela Resolução CONAMA 357/2005.

No geral, o Rio São Francisco e seus principais afluentes, neste trecho de Três Marias a Pirapora, estão com as águas de boa qualidade, este monitoramento é importante para que possamos conhecer mais profundamente o Velho Chico e também para montarmos um banco de dados que futuramente servirão para comparar valores, observando se houve mudanças na qualidade das águas do Rio São Francisco e de seus afluentes.