2005 Resultados das análises do Rio São Francisco – XV Expedição PEIXE VIVO
2005 RESULTADOS DAS ANÁLISES DO RIO SÃO FRANCISCO – XV EXPEDIÇÃO PEIXE VIVO
RESULTADOS DAS ANÁLISES DO RIO SÃO FRANCISCO –
XV EXPEDIÇÃO PEIXE VIVO
Os rios recebem os materiais transportados da bacia de drenagem na qual estão inseridos. A água que não retorna a atmosfera por evapotranspiração pode chegar ao rio por fluxo superficial e/ou fluxo subterrâneo, até chegar ao rio a água carrega tudo que ela pode mobilizar por ação físico-química.
Neste transporte de materiais há a forma natural, através dos ciclos biogeoquímicos, no qual quando as águas das chuvas percorrem o solo carregam consigo algum material/composto característico daquele terreno levando-o até o rio. E também há o transporte com influência direta do homem, como os esgotos domésticos e industriais, agrotóxicos utilizados nas lavouras, rejeitos depositados próximos ao curso d’água, argila e areia devido a falta de mata ciliar, etc.
Durante a XV Expedição Peixe Vivo, que percorreu o Rio São Francisco de Três Marias a Pirapora entre os dias 23 e 25 de setembro, o SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) – Pirapora enviou uma equipe com o propósito de realizar coleta de amostras de água para verificar se a sua qualidade estava de acordo com a legislação em vigor, a Resolução 357/05 do CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente), que dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento.
Os pontos escolhidos para as coletas foram: foz do Córrego do Consciência (localizado ao lado de uma indústria de mineração em Três Marias), foz do Rio Abaeté, foz do Rio de Janeiro e foz do Córrego Formoso.
Foram analisados 13 parâmetros: alumínio, cobre, fluoreto, ferro, fósforo, manganês nitrito, nitrato, oxigênio dissolvido, pH, turbidez, zinco, DBO; estes podem indicar contaminações por esgotos, metais, alterações decorrentes de outras fontes, ou seja, caracterizar as águas do Rio São Francisco.
Resultados das análises das águas coletadas no Rio São Francisco durante a XV Expedição Peixe Vivo.
Parâmetro | CONAMA 357 | Foz do C. Consciência | Foz do Rio Abaeté | Foz do Rio de Janeiro | Foz do C. Formoso |
Alumínio | Máximo 0,10 | 0,10 | 0 | 0 | 0 |
Cobre | Máximo 0,009 | 0,09 | 0,08 | 0,1 | 0,08 |
Fluoreto | Máximo 1,4 | 0,02 | 0,02 | 0,02 | 0,02 |
Ferro | Máximo 0,3 | 0,1 | 0,1 | 0,1 | 0,1 |
Fósforo | Máximo 0,1 | 0,01 | 0,01 | 0,04 | 0,01 |
Manganês | Máximo 0,1 | 0,1 | 0,3 | 0,1 | 0,1 |
Nitrito | Máximo 1,0 | 0,017 | 0,008 | 0,015 | 0,023 |
Nitrato | Máximo 10,0 | 2,0 | 1,6 | 1,2 | 0,8 |
Oxigênio dissolvido | Mínimo 5,0 | 6,2 | 7,84 | 8,70 | 7,05 |
pH | Entre 6,0 e 9,5 | 7,05 | 6,86 | 6,76 | 7,11 |
Turbidez | Máximo 100 | 18 | 48 | 32 | 6 |
Zinco | Máximo 0,18 | 0,03 | 0,02 | 0,02 | 0,09 |
DBO | Máximo 5,0 | 3,1 | 2,5 | 2,8 | 3,0 |
Dentre os parâmetros, o cobre estava acima do recomendado pela Resolução 357/05 nos quatro pontos amostrados e o manganês estava acima do recomendado na foz do Rio Abaeté. Estes metais, assim como vários outros, podem naturalmente ser encontrados nos cursos d’água, sua concentração acima do recomendado não significa necessariamente contaminação/poluição. É aconselhável que este tipo de monitoramento prossiga para verificar se tais resultados são característicos deste trecho da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco ou se são decorrentes de fontes antrópicas modificadoras das características naturais do rio.
Análise e coleta de amostras de água no Rio São Francisco.

ESCRITO POR PATRICK C N VALIM | 19 DEZEMBRO 2007